sábado, 28 de maio de 2016

Degustação de Vinhos "Bio" - Confraria "Des Amis du Mouton" - ABS-Rio.

O Prof. Roberto Rodrigues Discorre  sobre o vasto tema.

Por sugestão da Confreira Laura, Mestre RR nos deu uma Aula sobre Vinhos "Bio" e garimpou algumas garrafas junto aos Membro da Confraria. Bruno Blecher, Diretor de Redação do Globo Rural afirma, na Edição de 03/05/16, que "alimentos orgânicos estão virando um grande negócio" e escreve que "esses alimentos não utilizam fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e não são transgênicos". É comum a confusão entre agricultura Orgânica, Biodinâmica e Biológica e, na Aula de hoje, se procuraram esclarecer as diferenças entre as modalidades.


Visão da Grande Mesa, com Michel Batista em destaque.

A importância do tema é ainda maior, numa época em que se verifica o aumento da incidência de diversos tipos de Neoplasias Malignas e Malformações Congênitas em fetos, nas populações de regiões agrícolas, mormente no interior do Estado de SP. Os primeiros Viticultores que enveredaram pelo novo caminho da Produção Biológica (Bio) eram chamados de "Viticultores Poetas" e os mais tradicionais torciam o nariz, diante das novas idéias. Com efeito, foram os novos pequenos produtores, quase sempre vindos de outras atividades e com uma visão mais ampla de mundo, vindos para a lavoura sem vícios, os que expandiram a prática da Produção Bio na Europa e, em especial, em Portugal.


Carol Figueira, Laura Cavallieri e Andrea Panzacchi (Convidado).

Com efeito, na "Terrinha", já se contam vários Produtores Bio, dentre eles a Casa Ferreirinha, a Quinta da Casa Amarela (dos Regueiro), a Quinta da Serradinha, a Quinta da Palmeirinha, a Altano Quinta do Ataíde, a Aphros, para citar apenas umas poucas propriedades pioneiras. Portugal começou a engatinhar nessa seara em 1991. E discorre o Professor Roberto Rodrigues: Os vinhos que se compram no comércio todos têm conservantes e podem ser guardados. Já os Bio devem ser consumidos logo e não duram mais do que seis meses. O Processamento desses vinhos tem que ser "Bio", não podem conter leveduras industrializadas (liofilizadas), mas se usam leveduras naturais. Não se pode usar enxofre para interromper a fermentação; essa etapa é feita pelo uso de métodos físicos, para reduzir a temperatura do mosto. 


Confrades Rodrigo Caldas e Godofredo Duarte (Brinde).

Alguns vinhos "Bio" têm Certificação: Entidades geralmente governamentais fiscalizam os vinhedos e Certificam os Produtores que se enquadram na Legislação (que varia para cada país, 4, 5 ou 6 anos sem o uso de Defensivos agrícolas e fertilozantes sintéticos no vinhedo) e os Produtores que fizerem jus à classificação podem colocar um selo no rótulo, que, na UE, tem a cor verde, com as letras AB. Podem optar por colocar uma foto de uma Joaninha ou, simplesmente, escrever " Produto Bio" no rótulo. Já nos idos de 1927,  surgiu em Berlim a Demeter, uma organização de certificação de Agricultura Biodinâmica que, depois da II Grande Guerra voltou a operar na Europa.


 Rodrigo, Godofredo Duarte e a Confreira Mélaine Rouge.

Existem produtores "Bio"que não têm Certificação, nem escrevem no rótulo, mas são "Bio", a gente sabe que são! Para ser AB, o Produtor não pode usar Defensivos Agrícolas no vinhedo. Então, eles usam Patos...Sim, Patos, para comer os bichinhos (pragas) e larvas. Na Vinícola Avondale, da África do Sul, os vinhateiros têm o chamado "Pato Móvel", carro cheio de Patos, que eles soltam no vinhedo. São empregados, também bichinhos para comer bichinhos e "limpar" a plantação. Em regiões frias e úmidas do Brasil, os Produtores (Vinícolas como Mário Geisse e Miolo), bem como do Chile (Miguel Torres) precisam manter o solo mais seco e, para tal, podem borrifá-lo com Sulfato de Cu ou se utilizarem de Ventiladores, que sopram ar a + 180 Graus Celsius rente ao solo, de duas a três vezes a cada colheita. Os fungos perecem!


A Joaninha, Símbolo da Vinicultura Bio (Foto do Mesa de Baco), 
estampada nos Rótulos dos Vinhos Bio da Quinta da Casa Amarela.

As alterações climáticas, os protocolos ambientais, a questão tão debatida e divulgada do mau uso dos recursos naturais do Planeta  vieram dar força aos métodos naturais e o mercado de produtos alimentícios Bio, principalmente na Europa, passou a ser valorizado. Isso é o Biológico; Biodinãmico é outra coisa, frisa Roberto Rodrigues! Quem faz vinho Biodinâmico, faz, desde o início, Biológico, mas não é obrigatório. Às vezes, os Produtores compram uvas de outros Produtores. Portanto, Biodinâmico não é, necessariamente, "BIO". Os vinhos Biodinâmicos têm que seguir Princípios Naturais. Tais Princípios vêm da Idade Média, dos Alquimistas Europeus. Esses Princípios passam pelos Bruxos da Magia Branca e da Magia Negra (quatro cidades européias, das Magias Branca e Negra, como Lion, Turim, Évora...). 


 Eis o "Desfile das Garrafas" dos Vinhos Degustados nessa noite em que Baco rezou:




La Part des Anges 2012 AOC Chablis, de Jean-Pierre Grossot,França, Bourgogne, 
Notas: RR = 87,0 e Grupo = 87,9. Chablis correto porém de preço alto.

Seguindo tais Princípios, de um cultivo sem fertilizantes sintéticos e sem agrotóxicos, foi que nasceu uma corrente mais radical, a Biodinâmica, que teve origem na Doutrina Antroposófica do filósofo austríaco Rudold Steiner. Tal corrente não é oriunda das demandas do mercado,  de apelos à preservação do meio ambiente, mas de um “estado de espírito interno”, uma filosofia, que orienta o indivíduo num determinado modo de agir de Concepção Holística muito além da prática Bio. 


Pinot Noir 2013, de Vinhedo Serena, Brasil, Serra Gaúcha. 
(Vinho extra, levado por Carol). Notas: RR = 86,0 e Grupo = 89,9. 
Evoluiu muito rapidamente e levou a acharmos que era muito mais velho. 
Aromas quimicos o que denota que não é Bio como dito pelo produtor.

A Biodinâmica é também muito anterior (1924) aos Métodos de Produção Biológicos (MPB) e percorre um caminho totalmente diferente. Uma das peças chaves deste tipo de agricultura, o célebre Calendário Lunar de Maria Thun, foi desenvolvido durante a década de 50 do século XX. Steiner desenvolveu a Teoria da Interação Entre as Forças Cósmicas e o crescimento de plantas e Maria Thun explicou-a, através de anos de experiências, que acabaram por relacionar o ciclo vegetativo das plantas com o Calendário Astrológico. Este calendário, com os seus dias “flor”, “fruto”, “folha” e “raiz”, determina todas as ações agrícolas e acabou mesmo, já em final de vida da “Mentora”, por se estender, com a ajuda do filho Mathias, às provas de vinho, materializada no livro de 2010 “When Wine Taste Best”. Curiosamente, o Calendário Biodinâmico para Consumidores de vinho é seguido por vários produtores e vendedores de vinho em todo o Mundo.


Cerasuolo di Vittoria Classico DOCG 2011, de Azienda Agricola Cos, Itália, Sicilia. 
Notas: RR = 88,0 e Grupo = 88,8, com WS=90. A DOCG é uma das melhores da Sicilia
 e o vinho é um tipico Cerasuolo.


Quem, como eu, se criou no meio rural, testemunhou "práticas biodinâmicas espontâneas" entre os proprietários de fazendas e lavouras...Com efeito, os fazendeiros respeitam as fases da lua para o plantio e para a colheita; para tosquiar os ovinos e para castrar os terneiros,  potros e éguas. E isso parece realmente influenciar na evolução de tais procedimentos, resultando em plantas mais viçosas, espigas com bons grãos, frutos com bom amadurecimento e animais castrados em processo de cura satisfatório. Mas esses milenares costumes podem ser atribuídos a comportamentos anímicos de civilizações primitivas, ao pensamento do tipo dereístas desses povos que viam, nos fenômenos naturais (fases da lua, direção dos ventos, fenômenos das mares, eclipes do sol e da lua, etc.), avisos dos Deuses e prenúncios do fim do mundo). Leve-se em consideração, outrossim, que esses povos não contavam com o Calendário Gregoriano, como os de hoje e necessitavam recorrer ao fenômenos naturais para se orientar. Havemos de convir que as civilizações primitivas e rurais eram muito mais ligadas à Natureza do que as civilizações urbanas de hoje, movidas a petróleo, no corre corre das megalópes, vivendo ofuscadas pelo brilho dos anúncios de Neon.


Aliara Valle Central 2010, de Odfjell, Chile, Valle Central, Notas: RR = 89,0
 e Grupo = 90,2,  com WS=87. Bom vinho do Chile.

Vinho de boa expressão aromática a baunilha, eucalipto, pinho,  caramelo, frutas vermelhas, tomate seco, algo defumado, um frescor de menta... Na boca, é seco, sápido, quente na alcoolicidade, macio, encorpado e tânico. Dei-lhe a Nota 93, mas posso ter sido generoso demais.

Roberto Rodrigues também menciona Produtores que se orientam pelos Princípios Energéticos da Homeopatia, tendo tido a oportunidade de degustar um, trazido do Oregon, pelo Confrade Humberto Cárcamo, vinho que impressionou positivamente os degustadores da ocasião. Trata-se de um vinho cujo Produtor é um Médico Homeopata. 


Cellarius Malbec Cachi 2013, de Bodega Isasmendi, Argentina, Salta,
Notas: RR = 86,0 e Grupo = 88,3.Bom vinho, pena que tem excesso de álcool.

Roberto relata, de modo bem humorado, uma estória vivida quando da visitação a um Produtor do Minho (Aphros, de Vasco Croft, na Quinta do Casal do Paço): Conversando à beira da piscina, um dos visitantes elogiou o viço de um vinhedo próximo. O Enólogo escutou e contou que aquele vinhedo estava "caidinho", parecendo não prosperar... Então, "conversou" com o vinhedo e ele lhe disse do que precisava... Em seguida, tomou um rifle e entrou pelos bosques da região, abateu um veado e dele fez uma ablação da genitália, retornando ao vinhedo. Ali enterrou os genitais do animal, passou a trabalhar a plantação e observou que o vinhedo prosperou de modo impressionante, tornando-se esse vinhedo que se vê hoje.






Andrea agracia o Grupo com o seus delecioso Vero Gelato Italiano.

Já os seguidores dos ensinamentos de Freud teriam outra explicação para o fenômeno do florescer do referido vinhedo: O Enólogo estaria lidando internamente com elementos depressivos e sentimentos de impotência, possivelmente com conflitos de cunho existencial. Estaria reflexivo, tentando elaborar tais conflitos, até que teve um ímpeto que o fez agir e, de posse dos genitais do animal, em termos simbólicos, teria readquirido o Falo Potente, que fertilizou a terra. Assim, o Enólogo se sentiu encorajado novamente para realizar as ações necessárias para o fortalecimento da plantação. Ou seja, passou a empregar os recursos que sempre possuíra dentro dele.


Esse foi carinhosamente servido especialmente para o Escriba.

Por fim, nosso Mestre questiona a segurança em relação aos vinhos certificados: Na Europa, os vinhos Bio são mais valorizados... Mas acontece que, na Borgonha, por exemplo, onde os vinhedos se distribuem em pequenas e inúmeras propriedades, em média, de 1 a 2,5 hectares, há vinhedos situados em terrenos mais acima, que não são de cultivo Bio e, mais abaixo, em distâncias muito pequenas, existem vinhedos certificados (Bio), que, certamente, recebem contaminação de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos desses vinhedos vizinhos. Da mesma maneira, vinhedos de Vinhas Velhas, em que as raízes se aprofundam até o lençol freático, havendo vinhedos nas redondezas que empregam agrotóxicos, as raízes recebem seiva contaminada. Portanto, não há garantia de se ter um vinhedo totalmente livre de contaminação por defensivos agrícolas sintéticos.


Uma deliciosa mistura de sabores. Prefiro o de Manga.



Foto histórica, com alguns Confrades e Confreiras que estiveram na 
Confraria" Des Amis du Mouton. 

Ao finalizar esta matéria sobre Vinhos Bio, me dei conta de que se trata da  primeira que escrevo, relativa às Degustações da nossa Confraria "Des Amis du Mouton", depois que a Confreira Márcia Parente precisou deixar o Grupo de Degustação. Certamente, esse fato se deve à elaboração de um luto que vem operando dentro de mim, desde então e cuja resolução foi iniciada pelo tema da Aula relatada. Oportunamente, já que Bio quer dizer vida e creio que esse simbolismo deu a partida para eu me encorajar a escrever o "Post".



Os créditos pela descrição dos vinhos pertencem ao Profo. Roberto Rodrigues, a quem o Mesa de Baco é devedor. O Grupo agradece aos Confrades que trouxeram os seus vinhos para a Degustação, bem como ao nosso gerntil Convidado Andrea, pelo vinho e pelos Sorvetes Artesanais ("Sorvetes Bio"), de elaboração própria.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

XIII Encontro Anual do Grupo Cristal Com Menu Elaborado pela Chef Ana Salles.


A tarde estava assim, rm 06/12/15, no refúgio dos Anfitriões.

Depois do bloco carnavalesco da última sexta, com Samba até a madrugada, depois do Encontro do sábado, à Fantasia, da Confraria Dionísio, escrevo aos meus leitores Enófilos, desta vez sobre o já consagrado Grupo Cristal, que se Encontrou, em dezembro de 2015, no Espaço "Gourmet" dos Confrades Marcus Vinicius Rezende e Georgeana, um local amplo e bem montado, que abrigou confortavelmente o nosso Evento.


E o Redentor, pairando no alto do Corcovado, previa chuva.

O Grupo Cristal foi fundado em 2004 e se Encontra,  a cada ano, sempre no início de dezembro. É composto por doze membros, que se dividem em dois sub grupos, de seis membros cada um (cada sub grupo recebe uma garrafa de cada um dos vinhos escolhidos). 


Marcus Vinícius e Georgeana recebem o Grupo Cristal.

O objetivo do Grupo é degustar os melhores champagnes e vinhos do Mundo. Para tal, instituiu-se um depósito mensal, durante o ano, numa conta do "FMI", gentil e carinhoso apelido recebido pela Confreira  Emília Leandro, esponsorada por Fátima Carvalho, que aceitaram a missão de ser as Guardiãs da Poupança do Grupo e o fazem com paixão e amor ao vinho e ao Grupo. 


Sandra, Sílvia e Fátima Carvalho já expressam forte sede!

Como todos os anos, o Grupo Cristal fez uma pesquisa entre os Membros: "Que vinhos vamos escolher?" Dei-me conta de que havíamos degustado os melhores vinhos do Mundo, inclusive o Vega Sicilia Unico e faltava algum do outro lado do Douro. Foi aí que lancei a idéia: "Vamos degustar um Barca Velha"! Pronto, como diria Julio Cesar aos seus soldados, ao atravessar o Rio Rubicão, "alea jacta est!"...


Georgeana Macedo, Fátima Carvalho e a Chef Angélica.

Em Encontros anteriores, já havíamos degustado excelentes Espumantes, como Cava Benito Escudero Abad, Franciacorta (o preferido da Emília), dentre outros. Dei-me conta de que ainda não degustáramos o Ferrari Perlé, do qual sou grande apreciador, desde que o provei na Confraria "Des Amis du Mouton", nosso Grupo Oficial de Degustação da ABS. E, realmente, ninguém ficou decepcionado depois de o provar... Ficaram com gosto de "quero mais" na boca.


Visão da Grande Mesa, com Emília Leandro, Gilson e Dara.


A Chef Ana Salles Focada em Seu Labor: Delícias!


Outra tomada da detalhada Elaboração do Cardápio. 



A Chef, no Preparo do Bisque de Camarão Com Pistu, 


Preparo dos Espetinhos de Lula Com Farofa à Provençal.


O Grupo Cristal, Agora com Doze Membros, Brinda!


A Competente Equipe da Chef Pousa Junto aos Vinhos.


Cada Confrade Teve o Seu Cardápio Estampado à Frente.


O Sommelier, em sua Labuta Solitaria e Silenciosa.


Vanessa nos Socorre, na Abertura dos Trabalhos.


Dara e Georgeana Macedo Verificam a Mesa.


Aqui está o Menu, Com Duas Opções.

Vamos ao Coquetel, acompanhado pelo Espumante Ferrari Perlé:


Bisque de Camarão Com Pistu, By Chef Ana Salles.


Bolinhos de Inhame e Cogumelos Recheados com Queijo.


Espetinhos de Lula Com Farofa à Provençal: Nunca Mais
Aceitei Tal Iguaria, desde os Idos de 2003!


GostosasTorradinhas de Pão Integral Acompanhou Bem.


Pedacinhos de Abóbora Preparados Para a Grelha.


Carpaccio Artesanal de Peixe Branco Com Azeite 
Morno de Ervas, Acompanhado de Focaccia de Limão.


Para os Que Não Desejaram o Carpaccio, Este Camarão.


Pranto Principal: Filé à Welligton (Foi o da Minha Escolha).


Bolo de Amêndoas Com Coulis de Damasco.


Duas Garrafas de Champagne Dom Pégignon 2004.


Majestosa a Garrafa do Champagne Junto ãs Rosas.

Cor : Amarelo palha com reflexos dourados. Límpido, perlage fino e persistente. Nariz : Aromas de frutas brancas secas e cítricas. Boca: Boa cremosidade. Equilíbrio de acidez e álcool. Elegante e com boa estrutura. Harmonizou com o meu Carpaccio de Peixe Branco.


Vin Santo di Montepulciano DOC 1998, 14 % Vol., de 
           Avignonesi, Itália, Toscana.



Da Casta Sangiovese, estagia por dez anos em Barricas de Carvalho de 50 litros (chamadas de "Caratelli") e descansa engarrafado na Adega por tempo mínimo de um ano. 

Com Bela cor âmbar, revela-se um vinho de um bouquet muito intenso e persistente. Uma verdadeira sinfonia de aromas de pétalas de rosas, frutas secas, chá, especiarias, além de baunilha... Na boca, é muito encorpado e doce, porém não de modo excessivo.



Este vinho me fez relembrar a visita à Adega Avignonesi, em Montepulciano, na bela Toscana, com almoço e degustação, que realizamos, juntamente com a Confraria 145, no dia 04/09/14, viajando com José Carlos Santanita e Joelma Rodrigues; algo que se pode gravar na memória, de modo indelével!



O "Desfile" das Garrafas: Ferrari Perlé e Dom Pérignon.


Barca Velha, DOC Douro, produzido pela Casa Ferreirinha. Este era o da safra 1999, com 13,5 % de álcool. Elaborado com Castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão.

Este vinho não é somente um vinho, um majestoso vinho de Portugal. É uma lenda engarrafada! Cheio de história e de estórias, como tantos vinhos consagrados, como o vetusto Douro, cujas encostas abriga a Quinta do Vale do Meão, encantos da Dona Antônia Adelaide Ferreira, "A Ferreirinha", tão cultuada em Portugal, como Pedro Álvares Cabral, Camões, Vasco da Gama ou Saramago (tanto o Escritor, quanto o Enólogo antigo da José Maria da Fonseca, hoje da Tapada dos Colheiros, no Alentejo, o amável Antônio Saramago, que elaborou o Vinho "Dúvida", que tive a ventura de degustar lá mesmo, pois adquiri umas garrafas com o Saramago, após o Jantar de Encerramento da viagem realizada com a Confraria 145, no Restaurante da Praia do Guincho, em Lisboa).

Já havia tido a felicidade de degustar, antes, esse vinho tão propalado e tão raramente encontrado. Confesso que fiquei curioso, quanto à origem do seu nome, interrogações que, como de resto, suscitam muitos  vinhos de Portugal. Lembram-se do Má-Partilha, do Pera-Manca, do Monte dos Cabaços, do Cabeça de Burro, do vinho do Putto, do Rapariga da Quinta? Pois é... Todos dão margem a fantasias quanto à sua origem. Não seria assim com o "Barca Velha"?  Então minha intriga me levou a me informar que o nome se refere a uma antiga barca, da qual se serviam para atravessar o Douro e alcançar a Quinta do Vale do Meão.


"Desfile" Completo das Garrafas dos Portentosos Vinhos.

O primeiro Barca Velha, da safra de 1952, só chegou ao mercado em 1960! Depois dele, foram lançadas as safras de 64, 65, 66, 78, 81, 82, 83, 85, 91, 95, 99 e 2004. Vejam os Confrades que saíram, somente, 13 safras, num intervalo de 63 anos... Em alguns períodos, o intervalo entre as safras chegou a ser de 12 anos (1952-1964 e 1966-1978), o que chama a atenção para o extremo cuidado na elaboração desse grande vinho. Mas não há problema, a gente espera e vai degustando o Casa Ferreirinha Reserva Especial.

Na elaboração desse vinho, como é a tradição dos vinhos do Douro, as uvas são pisoteadas. O Vinho resultante fica em barricas de carvalho por cerca de quatro anos. O Enólogo Fernando Nicolau de Almeida (antigo), da Vinícola, tirava amostras do vinho e as analisava com a esposa. Chegavam à conclusão se seria um Barca Velha ou engarrafado como Ferreirinha Reserva Especial. 

O Grande Ícone dos vinhos da "Terrinha" é um Vinho de Guarda. Mas, aos 10 anos de idade, costuma estar pronto. Chega com fôlego  aos 20 anos, e pode pode continuar bom por muito mais tempo. A produção é em torno das 50 mil garrafas ao ano.

Todos sabemos que um bom vinho, principalmente um desse porte, é fruto de muito investimento, trabalho árduo e amor, mormente em um lugar "de nove meses de inverno e três meses de inferno"... Pois assim foi e tem sido na elaboração do Barca Velha, que só sai em safras excepcionais, como um Porto Vintage. 

Folgo ao perceber que fizemos uma excelente escolha, mais uma vez, para o Encontro de Dezembro/15... Pois, fazer uma indicação para o Grupo Cristal, não é uma tarefa livre de tropeços! 

O Grupo registra os seus efusivos agradecimentos a todos os Colaboradores, em especial à Fátima Carvalho, à Emília Leandro, à Sandra e ao Sidney Leone, bem como aos Anfitriões Georgeana, ao Marcus Vinícius Rezende e à Equipe da Chef Ana Salles, sem a ajuda dos quais os nossos tão esperados Encontros não teriam passado de meras fantasias, devaneios e sonhos...

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

LIV Encontro da Confraria do Camarão Magro: Trattoria Sarda - Centro do Rio

 
O Presidente da Confraria, J. P. Gils, recebe com a "Primeira Dama", Da. Mercedes.

Quando recebi a Comunicação do Presidente Gils, informando que o Encontro da Confraria seria na Trattoria Sarda, uma nova casa dos "Chefs" Sardenho (Silvio Podda) e Siciliano (Paola di Bella), cofesso que fiquei entusiasmado. Com as gratas experiências da Casa do Sardo, sua irmã mais velha, do Bairro de São Cristóvão, percebi que não teria erro... Minhas papilas já se iam aguçando... A proposta das duas casas é a da comida sadia e gostosa do Mediterrâneo, com ambiente simples, descontraído, atendimento gentil, competente e com preço justo.


Luiz Carlos Mattos, Edgar Kawasaki e Maria Bacelar.

Os ingredientes usados na confecção dos Pratos são cuidadosamente selecionados pelos dois sócios. Alguns deles são importados da Itália, segundo me confidenciou Paola, há algum tempo, e outros são adquiridos em São Paulo, de fornecedores italianos, que militam naquela capital. Outra boa notícia: Você pode levar uma garrafa de vinho, sem ter que pagar pela "rolha". Nas duas casas se pode fazer uma harmonização regional, pois o freguês conta com ótimos vinhos italianos, do Continente e das duas ilhas das quais Silvio e Paolo são oriundos. Pode-se almejar coisa melhor? O Cardápio é variado: Massas com frutos do mar, carnes, etc.


As gentis Confreiras Maria Bacelar e Fátima Carvalho.

E a Confraria? Bem, a Confraria se encontrou, como sempre, pontualmente, às 13 horas, quando se abriu o primeiro espumante, junto a um Balcão de Quijos saborosos e frios variados de qualidade. Além de Membros, havia Convidados, quase todos amadurecidos em barricas de carvalho francês de primeiro uso...

Da. Ângela Aldighieri e a "Primeira Dama" Da. Mercedes.

Chef Paolo di Bella, Gils e Marcos Arouche Nunes.

Eliane Mattos, Da. Ângela Aldighieri e Alice.

William, um "Penetra" e Antônio Brandão Machado.

Confrades Luiz Carlos de Mattos e Antônio Dantas: Alegria.

Michel e Sandra Brandão: Amimada conversa.

Antônio Dantas e a Confreira (e ex-Presidente) Grace Caxiano.

Panorâmica da Mesa, com Antônio Brandão Machado 
(nosso Convidado) e Grace, em primeiro plano.

Antônio Carlos Simioni, J. P. Gils e Maria Hilda de Almeira.

Outra visão panorâmica da Vasta Mesa da Trattoria Sarda.

Panorâmica da Mesa, con Simioni e Grace em primeiro plano.

O Competente e simpático Chef Paolo di Bella e Gils.

Aqui o "Desfile" da Competente Equipe da Trattoria Sarda.

Cardápio: Entradas – Boas Vindas Couvert: Mortadela, presunto Parma, pecorino negro, grana e pães. Vinho: Espumante Rivalta Extra Dry Valdobiadene (11,5%).

Primeiro prato: Salada de polvo: (Polvo temperado 
com aipo, tomate fresco, pimenta rosa, azeite extra, limão).
Vinho: Vermentino Monteoro – 2013 – 14%.

Segundo prato: Filé mignon ao molho de vinho tinto, 
servido com fettuccine ao presto. Vinho: Cannonau Sardegna 2011 – 14%. 

Sobremesa: DeliciosaTorta de ricotta limão.Vinho: Marsala. 

Espumante Rivalta Extra Dry Valdobiadene 
Incontri, 11,5%Vol. (Casta Glera),Itãlia, Vêneto.

Monteoro Vermentino Di Gallura DOCG Superiore 
2013, 14% Vol., de Sella & Mosca, Itália, Sardenha, 
Gallura (Olbia-Tempio, Sassari).

Cannonau Di Sardegna(Granache) 2011 – 14% Vol. 
de Sella & Mosca,Itãlia, Sardenha. Não passa em barrica!

Marsala D.O.C. Superiore, de Cantine Intorcia, Itália, Sicilia, 
Marsala. Castas: Grillo, Inzolia, Catarratto. com 17 % Vol.

Efusivos agradecimento ao Presidente Gils, aos colaboradores e ao Chef Paolo di Bella, com a sua impecável Equipe, responsáveis pelo brilho do Encontro.