domingo, 4 de março de 2012

Des Amis du Mouton Degustam Brancos do Velho Mundo em Noite Memorável na ABS.


Solitário, do alto da sua Posição, Mestre Roberto Rodrigues, recém desembarcado da Europa, abre os Trabalhos de mais uma Noite cheia de surpresas.

Desta vez, dado o caloroso dia, tivemos uma degustação de Brancos do Velho Mundo. Como a Confraria Des Amis du Mouton estava desfalcada, pela defecção de três membros, as duas Gurias e o Confrade Leonardo Carvalho, Roberto propôs abrir um vinho a menos e deixar o Espumante do Final, para outra ocasião. Teríamos um excesso de vinho.



João Luiz Caputo brinda a todos os Membros, presentes e ausentes.

O Grupo sentiu muito a falta das "meninas" e do Léo, com seus narizes sensíveis. Acho que foi por isso que o Caputo estava com o olfato tão aguçado, talvez de modo compensatório, desvendando todos os aromas dos vinhos degustados. Sem os nossos alteregos, temos que nos haver por nós mesmos no desempenho das mais delicadas funções.



Godofredo Duarte, em sua plácida contemplação das taças em "desfile".


V1 - Inzolia 2009, 12,5 % Vol.,  IGT Sicilia, de Sallier de La Tour/Tasca D'Almerita, Itália, Sicilia.

Vinho extraordinário, franco, amplo, fragrante e floral. Da taça, emanam eflúvios florais ( flores brancas, como lírio, jasmim), minerais (pedra de isqueiro), mel de laranjeira, abacaxi, um frescor de funcho, pimenta branca... Obteve a Nota 90, como Média do Grupo. Foi obacionado por muitos dos Confrades e pelo Mestre RR. 



V2 - Grillo 2009, 12,5 % Vol., IGT Sicilia, de Sallier de La Tour/Tasca D'Almerita, Itália, Sicilia.

Vinho franco, amplo, fragrante, frutado, floral e vegetal. Aromas de flores brancas (acácia), de pera madura, mel, toques lácteos e algo vegetal, como rosmarino. Frutas maduras (damasco)... Obteve a 90,4, como Nota Md. do Grupo.


V3 - Chardonnay 2003, 14,5 % Vol., DOC Contea DI Sclafani, de Tasca D'Almerita, Itália, Sicilia.

Para mim, esse foi o vinhaço da Noite, com sua bela cor amarelo-ouro escuro (ouro velho), escorregadio, muito transparente e brilhante. Vinho franco, amplo, fragrante, porém com muitos eflúvios etéreos: Coco queimado, frutas maduras em calda (pêssego, figo), goiaba madura, açafrão... Discreta malolática, iodo, baunilha, tabaco (caixa de charuto), café... Suas uvas provêm das vinhas mais antigas da Tasca D'Almerita e o vinho foi engarrafado em 23/08/2004. Recebeu 92,8, como Nota Média do Grupo.


V4 - Malvasia 2008, 11 % Vol.,  IGT Salina, de Tenuta Capofaro, Tasca D'Almerita, Itália, Sicilia.


Excelente vinho de sobremesa, franco, amplo e etéreo. Eflúvios de pêssego em calda, doce de casca de laranja, tangerina, uva-passa, nozes, alcaçuz...

Mas, desta vez, não tivemos os tradicionais fiambres e pães para terminar os trabalhos, nem a sobremesa, para acompanhar o vinho. Na próxima, tudo isso virá em dobro, inclusive os vinhos extras.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Des Amis du Mouton Oscilam Entre Dois Mundos.

Mestre Roberto Rodrigues e Márcia Parente: Executando a técnica de aquecer o vinho com as mãos.

Nesta noite de quarta-feira, a Confraria passeou entre o Novo e o Velho Mundos, numa degustação descontraída, bem divertida e, como de costume, repleta de informações sobre o tema do vinho, como ensinamentos técnicos, viagens temáticas, harmonização e muito mais. Seu Bira, como sempre, calado, mas prestando muita atenção... Estaria envolvido com cálculos? ...



João Luiz Caputo e Márcio Monteiro: Zoação Ilimitada! Camisa verde?!

O Grupo compareceu na sua quase totalidade, com exceção da Confreira Cláudia Dacorso, que anda degustando do outro lado do Equador. Sentimos a falta da mesma, que anima a todos com o seu humor oportuno e inteligente. Esperamos que o Deus Éolo sopre os seus ventos para o Hemisfério Sul e a traga de volta, com um saco de couro de um novilho de nove dias repleto de ouro de cor rubi.


V1- Eolo 2007, de Trivento, Argentina, Mendoza.

Vinho com bela cor vermelho-rubi escuro, escorregadio, com reflexos violáceos, opaco e brilhante. Franco, amplo e fragrante, floral e frutado. Aromas de baunilha, coco, violeta, frutas vermalhas, ameixa, café, pimenta, cravo, caramelo, louro... 

Notas; RR = 91,0 e Média do Grupo (MG) = 89,8. É o vinho top da vinícola, com 90% Malbec e o restante com Shiraz (8%) e Petit Verdot (2%). Creio que estava muito novo ou não demos a atenção devida ao mesmo. Para se ter uma idéia, custa US$ 170.00 no Free Shopping e US$ 96.00 nos Estados Unidos. A importadora é de São Paulo e se encontra por aqui a R$ 590,00.


V2- Monopole Fermentado em Barrica 2004, de CVNE, Espanha, Rioja.

De bela cor amarelo-ouro médio, escorregadio, com reflexos dourados, muito transparente e brilhante. Vinho franco, amplo e fragrante, mas caminhando para o etéreo. Aromas mineral (pedra de isqueiro, querosene); floral (lírio); frutado, como damasco ou pêssego, casca de laranja, pera madura, guaraná; avelãs, pimenta branca e discreta baunilha. Notas: RR = 93,0 e MG = 92,8. Uma prova de que os brancos da Rioja envelhecem muito bem. 

V3- Barbaro 1999, 13 % Vol.,  de Bodega Balbi, Argentina, Mendoza.

De bela cor vermelho-granada escuro, escorregadio, com reflexos alaranjados, com leve opacidade e brilhante. Vinho franco, amplo e etéreo, mas ainda com aromas frangrantes. Uma sinfonia aromática de baunilha, licor de café (Tia Maria), cereja, ameixa em calda; agradáveis aromas adocicados de alcatrão, caramelo, uva-passa tinta, cereja em calda; fumo de rolo, chocolate amargo, subois, pimenta, couro... Notas: RR = 90,0 e MG = 92,4. O vinho top da Bodega Balbi, que não está mais sendo vendido no Brasil. Saiu da Adega Particular do RR.


V4- Espumante Bruto Casta Baga N.V., de Luis Pato, Portugal, Bairrada.

 De belíssima cor salmão e com intensos aromas de cerejas. Notas RR = 86,0 Interessante, mas com pouca acidez.


A Belíssima Cor do Espumante do Luis Pato.

Para o final dos Trabalhos, tivemos um vinho extra e os tradicionais fiambres e pães, desta vez  patrocinados pelo Confrade Godofredo Duarte. Um exagero de deliciosos e variados queijos. O Mesa de Baco se encarregou de levar os pães de provolone e as berinjelas genovesas. 

Agradecimentos pela valiosa  Colaboração de Roberto Rodrigues, na elaboração das notas de informações sobre os vinhos degustados desta feita, curiosidades, preços, etc.

Curiosidade sobre o nome do V1 (primeiro vinho degustado):

Éolo, filho de Hipotas, era o senhor da ilha Eólia, e era querido dos deuses imortais.Ele morava em uma ilha flutuante, cercada por muralhas de bronze inquebrável; ele tinha seis filhos e seis filhas, e cada filho era casado com uma filha. Odisseu se encontrou com Éolo em suas viagens. Odisseu chegou à sua ilha, e lá passou um mês, contando as suas aventuras. Éolo entregou a Odisseu um saco de couro de um novilho de nove dias de idade, em que estavam presos todos os ventos, porque Zeus fizera de Éolo o senhor dos ventos. Éolo deixou apenas o vento do Oeste solto, para levar Odisseu de volta para sua casa. No nono dia da viagem, no entanto, seus homens, achando que havia ouro e prata no saco, o abriram, libertando todos os ventos, o que os afastou de Ítaca, retornando para a ilha Eólia.Éolo, irritado, expulsou-os de lá. Nas versões racionalizadas da mitologia grega, Éolo foi um sábio que conhecia sobre os ventos, sendo por isso chamado de senhor dos ventos (Wikipédia, a enciclopédia livre).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Des Amis du Mouton em Seu Primeiro Encontro de 2012: Vinhos de Três Países e um Cordeiro.



Alexandre Follador abre os trabalhos desse Encontro a convite de Roberto Rodrigues.

Nesta quarta-feira de 18 de janeiro, tivemos o Primeiro Encontro Des Amis du Mouton de 2012.. A proposta de Roberto Rodrigues foi a de se degustarem três vinhos de três países:



Professor Roberto Rodrigues e Márcia Parente: Indefectível abertura do Mesa de Baco.

Vínhamos degustando os inesquecíveis vinhos de Portugal e da Espanha. Assim, nesta noite,  seriam colocados, às cegas, como de costume, dois vinhos daqueles países e um "estrangeiro", isto é, de fora desse bloco.


Godofredo Duarte: Aromas indecifráveis no vinho.

Esse primeiro Encontro foi profícuo, em que degustamos excelentes vinhos, dentre eles um Alvarinho, talvez o melhor de todos, que tive a oportunidade de provar pela segunda vez:



Leonardo Carvalho: Consagrado por Godô (enfim, o prato devolvido!).

 Conforme os leitores podem visualizar em matéria mais antiga, marcando um dos Encontros do "Esquadrão dos Cinco", no Restaurante da Dona Henriqueta Henriques, em Portugal Pequeno ( do outro lado da Ponte Presidente Costa e Silva, logo ali em Niterói).


Muros de Melgaço 2008, 13 % Vol., Alvarinho DOC Vinho Verde, de Anselmo Mendes, Portugal, Vinho  Verde.

Vinho franco, amplo, fragrante, já com um deslize para o etéreo. Aromas de flor de laranjeira (mel de), lírio, cítricos (lima), algo mineral. Lichia, marmelo fresco maduro. Um abaunilhado discreto... Excelente exemplar da Casta, que obteve a Nota 90,4, na Média do Grupo. Nota MB = 93.



A Icônica garrafa desse Alvarinho.



Lily's Garden Shiraz 2005, 14,8 % Vol., McLaren Vale, de Two Hands Wines PPY, Austrália, South Australia.

De cor vermelho-rubi muito escura, profunda, lembrando um Tannat do Uruguay. Um vinhaço, franco, amplo, fragrante, porém já a caminho do etéreo. Ricos aromas de violeta, coco queimado, café, ameixa em calda, um certo frescor de menta; aromas adocicados, como baunilha, caramelo, uva-passa, água de azeitonas em conserva, tabaco, alcaçuz... Ganhou Nota de 94,2, como Média do Grupo. Nota MB = 96; WS = 94, RR = 94 e RP = 94. Será que estavam combinados?! O nome desse vinho foi dado em homenagem a uma das filhas de um dos sócios da vinícola (Michel Twelftree), nascida em 13/08/2001. Realmente, o Enólogo se esmerou na elaboração desse vinho!  Foi o melhor vinho da noite.



Pesquera Janus Gran Reserva 2003, 14 % Vol., DO Ribera Del Duero, de Bodegas Alejandro Hernándes, Espanha, Ribera Del Duero.

Outro portento desta noite, franco, amplo e etéreo, mas ainda com resquícios fragrantes. Aromas de ferrugem, violeta, baunilha, caramelo, alcaçuz, tabaco, café, um frescor de aniz e louro, pimenta, subois, couro, geléia de groselha... Recebeu as Notas 91, como Média do Grupo. MB = 92.



Rosso Di Montalcino DOC 2005, 13 % Vol., de Casanova di Neri, Itália, Toscana.

Vinho franco, amplo e etéreo, com armas de baunilha, água ferruginosa, geléia, suor de cavalo cansado (xergão), musgo, funcho, terra molhada, chocolate amargo, caramelo, pimenta...

Esse foi o zurrapinha levado por Mesa de Baco, como vinho extra. Recebeu a Nota de 87,2, na Md. do Grupo; MB = 89 e RR = 85."Já passou do auge: Rosso não  é para durar mais que três anos" (nas palavras de RR).



Pedro Ximenez Viejisimo 10 % Vol., de Bodegas El Maestro Sierra, Espanha, Andaluzia (Jerez).

Trata de um Pedro Xinenez de alta qualidade, franco, amplo e etéreo, que se abre em aromas de figo, figada, caramelo, chocolate, alcaçuz, licor de jenipapo, geléia de damasco, casca de camarão, alcatrão (asfalto fresco)... Vinho de agradável doçura, fresco, quase vivo, equilibrado, redondo, muito encorpado e carente de taninos (apontando para pouco tânico). Notas: MB = 97, MD = 95,4 e RR = 96. Roberto trouxe sorvete de chocolate para harmonizar. Melhor seria com mousse de chocolate amargo. O vinho sobrou sobre o sorvete: Sorvete tem açúcar e o vinho doce brigou (doçura com doçura), conforme sinalizou RR.



Reserva Chardonnay 2009, 13,5 % Vol.,  de Veramonte, Chile, Casablanca Valley.

Vinho extra, para acompanhar a Entrada, no repasto do final dos trabalhos. De bela cor amarelo palha com reflexos dourados, fresco e floral; abundantes frutas tropicais e cítricas. Algo mineral. Aromas de abacaxi maduro, nectarina, melão e banana bem madura. Vinho de bom custo x prazer, que acompanhou bem a caponata de Berinjela em leito de alface americana.


Vinho Tinto Espanhol Artero Tempranillo - La Mancha 750ml
Artero Tempranillo 2010, 14 % Vol. DO La Mancha, de Viñedos y Bodegas Muñoz, Espanha, La Mancha.

Foi o terceiro (excepcionalmente) vinho desse Encontro, para acompanhar a paleta de cordeiro assada e acompanhada por molho de hortelã e guarnecida por batata doce cozida e vagens cortadas e levemente refogadas com azeite. Vinho simples, frutado, com taninos macios, mas agradável, que combinou bem com o prato. 



The Dalmore 12 Years, 43 % Vol., de Dalmore Distillery, Escócia, Highland.

Aromas de baunilha, casca de laranja, chá preto... Servido no final da Degustação, com os aplausos da Confreira Cláudia Dacorso."Como curiosidade: A Dalmore produz o mais caro whisky do mundo, o Dalmore 62 Years, que custa 125 mil Libras a garrafa. Uma garrafa no Brasil, de 56 anos, está a R$ 72.000,00 no Mercado Livre" (segundo informou Roberto Rodrigues).



Prato de Entrada: Caponata de Berinjela, em leito de alface americana e azeite (Vinho Chardonnay).

Berinjelas cortadas em cubos pequenos, com cebola, pimentão amarelo, uva-passa tinta, azeitonas pretas, orégano, alho (em pequena quantidade), uma pitada de sal e azeite de oliva extravirgem Borges. Levada ao forno baixo, com assadeira coberta por lâmina de alumínio, durante 30 min. Finaliza-se remexendo a berinjela e dando-se mais uma regada com azeite. Aí, se retira o alumínio e se aumenta a chama, deixando por mais uns 10 min. Serve-se fria. Muito bom prato para uma Entrada no jantar, para dar uma quebrada no apetite e se evitar de comer em demasia.



Paleta de Cordeiro assada no forno, com aromas discretamente defumados (Vinho Artero Tempranillo).