Da Esquerda para a Direita, o Professor Roberto Rodrigues e os
Confrades Ubiracy Santana e Godofredo Duarte.
Ubiracy Santana, João Luiz Caputo e José Joaquim.
Caputo e Joaquim, orquestrando um entusiasmado e caloroso brinde.
A exposição da bela cor vermelha dos Caldos degustados, com a fileira de taças.

Para os cumprimentos e as Boas Vindas, tivemos o excelente Espumante Salton Imperial, que nos deixou de alma lavada.
Como Introdução, o Professor Roberto Rodrigues discorreu um pouco sobre a Região em pauta e, em seguida, passou ao Serviço dos Caldos.
A vasta Região do Vale do Ródano é uma área de grandes contrastes. O Norte tem clima Continental clássico, com as quatro estações bem definidas, sendo os verões quentes e os invernos, bastante frios. Os terrenos são acidentados (solos de xisto), muito íngremes, o que impossibilita a mecanização das lavouras. Aqui, a Syrah encontra o seu habitat ideal.
O Belo Mapa foi "tomado emprestado" do Site da Academia do Vinho, à revelia do Confrade Carlos Arruda.
Já, no Sul, o clima é Mediterrâneo, onde os verões são quentes e secos, com invernos chuvosos (com boa adaptação para as cepas Grenache e Mouvèdre).
Os vinhedos seguem o curso do Ródano, desde a cidade de Vienne, em direção ao Sul, até Valence. No sentido do curso das águas, as OAC da margem esquerda são Côte Rotie, Condrieu, Châteu Grillet, St-Joseph, Cornas e St-Péray. Na margem oposta, ficam Hermitage e Crozes-Hermitage.
O "Rhône"segue um curso de mais ou menos cem km, até alcançar as OAC do Sul, que são Châteauneuf-du-Pape, Gigondas, Vacqueyras, Lirac e Tavel, nas proximidades de Avignon. Aqui, há distritos menos conhecidos, como Diois, Coteau du Tricastin, no Departamento de Drôme; Côtes de Vivarais, Côtes du Ventoux e Côtes du Lubéron (em Vaucluse).
A AOC Côte du Rhône - nome que também se emprega para designar o Vale do Rhône - é uma enorme área, com cerca de quarenta mil hectares de vinhedos genéricos. Já a Côte du Rhône Villages, onde as normas de produção são mais rigorosas, constitui-se numa região de maior prestígio que a Côte du Rhône genérica, com vinhos melhores. O distrito chega até o Norte do Ródano, mas é no Sul, que se encontra a melhor área.
No Norte, encontram-se vinhos são encorpados, carnudos, profundos e longevos, elaborados com as uvas Syrah (casta tinta única na região) e Viognier. Mas há outras brancas, como Marsanne e Roussanne, que produzem reduzido volume de vinhos brancos. Os mais prestigiados são os das regiões de Hermitage e Crozes-Hermitage.
Na Côte Rotie, até uns 20 % de Viognier podem ser misturados à Syrah para a elaboração de tintos.
Aqui, os vinhedos são plantados com estacas e as castas costumam ser misturadas em um mesmo plantio.
Em Châteauneuf-du-Pape ( Local onde ficava a residência de verão do Papa, construída no Século XIV, quando o papado se transferiu, provisoriamente, para Avignon) são permitidas treze castas tintas (Grenache Tinta, Syrah, Mourvèdre, Counoise, Vaccarèse, Terret Noir, Cinsaut, Muscardin...) e dez brancas, como Clairette, Grenache Blanc, Picpoul, Picardan, Bourboulenc e a Roussanne, dentre outras.
Não poderíamos deixar escapar a oportunidade de fazer uma referência ao misterioso vento Mistral, que sopra das montanhas dos Alpes, ao Norte, sobre a vasta região do Vale do Ródano, baixando, às vezes bruscamente, a temperatura. o que se constitui num importante fator climático sobre a viticultura local. A violência do Mistral pode destruir as treliças de condução, principalmente na primavera. Isso justifica a tradição de conduzir as vinhas na forma de arbustos ou com estacas. Mas também há efeitos benéficos desse vento sobre os vinhedos, pois o seu efeito seco, com a concomitante baixa da temperatura, ajuda a evitar doenças por fungos, como é o caso do oídio e do míldio, além de propiciar maior concentração à uvas antes da colheita.
Os Vinhedos do Sul da França são tão vastos, que merecem um capítulo à parte.
Passemos, então, aos aspectos técnicos dessa importante degustação, que despertou tanto interesse nos presentes.
Vinho 1 (V1), de bela cor vermelho-rubi escuro, com reflexos granada, brilhante e transparente.
No Exame Olfativo, o vinho mostrou-se franco, amplo, fragrante, mas com uma boa gama de aromas etéreos, com muita fruta e floral. Aromas de ameixa, cereja, violeta, hortelã, pele de salame, funcho, baunilha, tabaco, chocolate... No final, uma especiaria (cravo).
Na Avaliação Olfativa, o vinho se revelou bastante fino, para finíssimo, intenso e persistente, inclinando-se para muito persistente.
No Gustativo, vinho seco, sápido, equilibrado na alcoolicidade, com uma tendência para o quente, macio, pouco encorpado e com taninos equilibrados.
Na Avaliação dos Aromas de Boca, esse vinho se mostrou bastante equilibrado, com tendência para o harmônico, bastante fino, apontando para finíssimo, intenso, para muito intenso e persistente, a caminho do muito persistente.
O Vinho terminou bem, deixando a boca de limpa para enxuta e estava maduro.
Dei-lhe nota 88, sendo a Nota Média do Grupo de 84,40.
O Vinho 2 (V2) teve a mesma avaliação no Exame Visual que o V1, mas revelando leve opacidade.
No Olfativo, vinho franco, amplo, fragrante, com pequena tendência para o etéreo, sendo frutado e floral.
Aromas de frutas vermelhas, rosa, carne fresca sanguinolenta, alcatrão, ameixa fresca, cravo, coco queimado, louro...
Na avaliação da Qualidade, Intensidade e Persistência, o vinho se mostrou semelhante ao anterior, porém com um ponto a mais para a qualidade (na minha avaliação).
No Exame Gustativo, o vinho era seco e salgado, sápido, equilibrado, macio, de bom corpo para muito encorpado e com taninos equilibrados, com tendência paro o tânico.
Na Avaliação dos Aromas de Boca, o vinho se comportou de modo semelhante ao anterior, mas com dois pontos a mais no equilíbrio (com 15, na minha ficha).
Vinho que terminou bem, deixando a boca enxuta, com final salgado. Está pronto.
Atribui-lhe nota 91 e a Média do Grupo foi de 88.90.
O Vinho 3 (V3) era vermelho-granada escuro, com limpidez de muito límpido para brilhante, com leve opacidade e muito boa cor.
No Ex. Olfativo, vinho franco, amplo, fragrante, mas caminhando a passos largos para o etéreo, frutado e vegetal.
Aromas de doce de pera, especiarias, arruda(?), romã, figo seco, um tostado (café, madeira), bala de leite e, no final, nítido iodo.
Na Avaliação da Qualidade, Intensidade e Persistência olfativas, o vinho se mostrou semelhante ao V2, conforme as minhas impressões pessoais.
Na Boca, revelou-se um vinho seco, sápido, equilibrado, macio, com bom corpo e de taninos equilibrados.
Na Avaliação dos Aromas de Boca, o vinho era bastante equilibrado, com seta apontando para o harmônico, bastante fino, com seta apontando para o finíssimo, de intenso para muito intenso e de persistente, para muito persistente.
Termina bem, deixando a boca enxuta e estava maduro.
Minha Nota foi 89 e a nota Média do Grupo, 85,50.
A seguir, tivemos o Vinho Extra, colocado nessa posição por ser tinto:
Vinho 4 (V4), com Exame Visual semelhante ao V1.
Ex. Olfativo - Franco, amplo, fragrante, frutado e floral.
Aromas de baunilha, cereja, frutas vermelhas do bosque, chocolate, caramelo, hortelã, pimenta branca e um certo amanteigado.
Na Boca, o vinho era seco, de sápido para fresco, equilibrado, macio, de bom corpo e com taninos equilibrados.
Avaliação dos Aromas de Boca - Equilíbrio, com 14 pontos, Qualidade, com 15, Intensidade, com 14 e persistência aromática, com 11.
Termina bem, deixando a boca enxuta e estava pronto para beber.
Minha Nota foi de 90,00, sendo que a Md. do Grupo ficou em 87,80.
O Vinho 5 (V5) era de muito boa cor amarelo-ouro claro, brilhante e muito transparente.
No Olfativo, mostrou-se franco, amplo, fragrante, frutado e floral.
Aromas de flor de laranjeira, abacaxi em calda, lima, baunilha e mel (de laranjeira)... Amanteigado e algo mineral.
Na Avaliação da Qualidade, Intensidade e Persistência olfativas, este vinho teve o mesmo número de pontos dos vinhos 2 e 3, totalizando 21 pontos.
Na Boca, revelou-se um vinho doce, fresco, equilibrado, redondo, de bom corpo e carente de taninos, como todo vinho branco.
Avaliação dos Aromas de Boca - Equilíbrio, com 15 pontos, qualidade e intensidade, também com 15 e a persistência aromática, com 11.
O vinho terminou bem, deixando a boca limpa e estava pronto.
Minha Nota foi de 93 e a Média do Grupo, 91,00.
Feitas as cuidadosas avaliações e discussão pelo Grupo, as garrafas foram lentamente desvencilhadas da sua roupagem prateada (alumínio) e o mistério revelado:
V1 - Montjoie AOC Châteauneuf-du-Pape, 14 % Vol., safra 2006, servido a 18 graus Celsius, do Produtor Gabriel Liogier.
Elaborado com as castas Shyraz, Grenache, Mourvèdre, Cinsault, Vaccarèse e Muscardin.
Bela garrafa, com o brasão do papado francês, uma coroa.
V2 - Renaissance AOC Cornas, 13 % Vol., 2001, do Produtor A. Clape (Domaine Clape).
Vinho das uvas Shyraz e Viognier. Trata-se de um vinho rústico. Até me pareceu que tinha um defeito. É o exemplo de um vinho do Norte do Rhône (ou você gosta dele ou o odeia, se poderia dizer).
V3 - Château La Bastide AOC Corbières, 2004, 13,5 % Vol., do Produtor Guilhem Durand.
V4 - Nótios Peloponnisos 2005, 13 % Vol., do Produtor Gaia Wines S/A., Grécia, servido a 18 g. Celsius, um varietal da casta Agiorgitiko.
V5 - Muscat de Rivesaltes Vin Doux Naturel, safra 2000, 15,5 % Vol., do Produtor M. Chapoutier, servido a 8 g. Celsius. Elaborado com a uva Muscat.
Como se pode deduzir, tivemos mais um agradável e profícuo Encontro da Confraria Des Amis du Mouton, na Associação Brasileira de Sommeliers, aqui na Cidade Maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro.